Gestos de criação
Nossos gestos ressoam possibilidades, abrem ou fecham devires existenciais. Eles são ao mesmo tempo um convite de diálogo com os outros seres que habitam o nosso entorno e com as nossas emoções.
Criar é antes da obra, da invenção, do resultado, do produto, da performance. É um gesto de origem, uma força do existir.
No encontro estético há a possibilidade de organizar as formas sensoriais que nos atravessam através da imaginação. Quando estamos diante de algo no mundo estamos em presença , numa relação de alteridade.
A criação nasce deste diálogo entre o eu e o outro, entre o eu e o mundo. No gesto criativo buscamos expressar o indizível, partilhar uma experiência que tece modos singulares de estar vivo.
Com quem você cria ?
mão trabalhando no torno uma peça de argila
Criar não acontece na mente mas no encontro entre o corpo e a matéria. Cada elemento material tem seu próprio espírito e disponibilidades sensíveis.
Trabalhar com argila é muito diferente do que trabalhar com a linha de algodão ou de juta. Cada materialidade traz em sua própria constituição possibilidades expressivas e de con(tato).
A matéria em sua forma é coautora da obra. Cada material escolhido possibilita um toque, um ritmo, uma maleabilidade, uma postura diferente e consequentemente uma extensa variedade de formas do sentir.
Susanne Langer fala do gesto como um símbolo apresentativo, estes são formas que apresentam um sentido de uma só vez, como totalidade sensível. Relações que não explicam, não representam mas nos fazem sentir e perceber.
O corpo lê e produz símbolos apresentativos o tempo todo e estes nos revelam padrões que se repetem, que se modulam em nossas relações com o tempo e o espaço vivido.
A forma que criamos é um conteúdo vivido tornado perceptível .
mãos fazendo um bordado
O processo de realização de si mesmo é complexo, são estes momentos de apercepção que vão dando um contorno para nossa existência.
Nossos gestos (con)formam nosso corpo e consequentemente ampliam ou estreitam nossos horizontes de ser.