Nosso labirinto comum
Lee Mingwei nascido em 1964, Taipei, é um artista taiwanês-americano que vive entre Paris e Nova York. Ele enfatiza em sua arte as relações humanas e a vulnerabilidade.
A delicadeza das suas obras, que são uma espécie de ritual, me fascinam e tocam num ponto que venho discutindo no processo atual desta Residência criativa: a importância de criarmos espaços de convivência mediados por elementos orgânicos.
Nesta obra que escolhi para a conversa ele traz o arroz cru como materialidade para uma instalação viva e coreográfica. O arroz não é um material neutro, ele carrega na maior parte da Ásia, várias camadas simbólicas.
Desenho inicial da performance
No budismo o arroz é usado em rituais de oferenda e gratidão. Ele remete a esta teia que nos sustenta de água, ar, sol, terra e trabalho humano que geram abundância de alimento mediando nossa nutrição e a fragilidade destes ciclos naturais.
Ao trazer a dança e a interelação entre os bailarinos, o artista traz a conversa sobre uma ética da presença. A delicadeza do fazer junto, pisar sem destruir, criar juntos um desenho impermanente de encontro.
Veja a beleza desta proposta no vídeo :
Desenhar nossas relações em comum é um ritual de cuidado.
Os trabalhos artísticos de Lee sugerem um fazer junto que pode fortalecer nossas relações pessoais sem a necessidade de muito dizer. Costurar, cuidar de plantas, escrever uma carta, dormir juntos…práticas que viram ritos e ganham uma sentido afetivo.
Em uma entrevista para o The Talks ele ressalta;
“Eu não uso a palavra cura porque não estamos quebrados. Todos temos histórias de situações que nos feriram ou que foram desagradáveis, mas são estas situações que nos fazem belos”